Precisamos lançar luz sobre um dado do Anuário Agrologístico 2026 que passou despercebido pela grande mídia, mas que acende um alerta vermelho para qualquer estrategista de infraestrutura: o recuo na conectividade ferroviária direta com o coração da produção. O relatório apresenta um dado histórico alarmante: entre os anos de 2017 e 2026, o Brasil registrou uma retração de 11% na quantidade de unidades armazenadoras com acesso ferroviário direto. Em contrapartida, o acesso hidroviário cresceu 29%, mas ainda representa ínfimo 1% do total de armazéns nacionais.
Esse descompasso estrutural consolida uma dependência sistêmica e perigosa: nada menos que 95% das unidades armazenadoras ativas no país dependem exclusivamente do modo de transporte rodoviário para escoar seus volumes de grãos. Ao perdermos ramais ferroviários diretos nos silos de interior, encarecemos de forma dramática a logística de curto alcance e submetemos toda a cadeia de suprimentos do agronegócio às flutuações severas do preço do óleo diesel e às precárias condições de conservação da malha viária não pavimentada, que ainda representa 78,5% da malha nacional.
Sob a perspectiva jurídica e empresarial que defendemos no Instituto AgroPortuário e na nossa prática corporativa, esse gargalo multimodal representa um imenso ‘custo invisível’ para as tradings e cooperativas. A falta de conectividade eficiente força a depreciação do valor dos grãos na origem, reduz a competitividade internacional dos nossos portos e eleva os riscos de passivos trabalhistas e contratuais decorrentes de atrasos logísticos crônicos nas janelas de embarque internacional. A verdadeira sustentabilidade e a eficiência do Oceano Verde demandam a desconcentração imediata da matriz de transportes.
Para sustentar a posição do Brasil como protagonista global no abastecimento de alimentos, a atração de investimentos privado em ferrovias de integração e terminais intermodais deve deixar as promessas políticas e se converter em realidade operacional regulamentada. A segurança jurídica dos contratos de concessão de longo prazo é a única chave capaz de destravar esse nó logístico nacional. Para sustentar a posição do Brasil como protagonista global no abastecimento de alimentos, a atração de investimentos privado em ferrovias de integração e terminais intermodais deve deixar as promessas políticas e se converter em realidade operacional regulamentada. A segurança jurídica dos contratos de concessão de longo prazo é a única chave capaz de destravar esse nó logístico nacional.
Se faz necessário provocar uma reflexão indispensável: como a perda de conectividade ferroviária direta nos armazéns tem impactado a planilha de custos de frete da sua empresa? É viável mantermos o crescimento das safras sem uma urgente reforma na matriz de transportes do país? Deixe sua opinião e colabore com o debate aberto na rede. A reversão desse quadro não se dará com intervenções pontuais, mas sim por meio de políticas sistêmicas que estimulem investimentos em intermodalidade física real de longo prazo na matriz portuária paranaense.



